Um canto para falarmos de esportes, política, livros, do tempo, da vida, enfim... Sejam bem-vindos e sintam-se a vontade para comentar.
12 setembro 2011
08 julho 2011
Meu pai tinha razão
Uma de minha lembranças de criança/adolescente é meu pai assistindo aos telejornais e reclamando das notícias. Reclamava, principalmente, dos escândalos de corrupção e das negligências do poder público. Achava aquelas reclamações chatas e me incomodava a rabugice do “meu velho”. Afinal, o que tinha de tão grave naquilo tudo? Que ingênuo que eu era…
O tempo passou. Hoje pago impostos, trabalho, sou casado, tenho filho, quero ter mais filhos e continuarei pagando meus impostos. Agora entendo perfeitamente as reclamações de meu pai. Na verdade, desde que saí de casa, aos 16 anos, para estudar em outra cidade, vi como nossa vida é influenciada pelas decisões tomadas pelos gestores públicos e como a incompetência destes pode prejudicar muito nossa vida.
Por isso tudo, estou passando por um momento de certa descrença. Tenho me questionado se um dia poderemos nos orgulhar de viver no Brasil, por motivos além de nossas belezas naturais e de nosso povo hospitaleiro. Onde vão parar nossos impostos? Segundo texto do Blog “Esculacho e Simpatia”, relatório da Anistia Internacional aponta que 62 BILHÕES de reais são desviados dos cofres públicos por corrupção. 62 B-I-L-H-Õ-E-S! Aí você anda pelo país e vê tanta gente morando (ou seria melhor dizer “sobrevivendo”) em palafitas. E os hospitais? Quantos podemos dizer que são de qualidade e acessíveis a população em geral? Nossos alunos estão aprendendo nas escolas? E o saneamento básico? Nem o básico nos temos!
62 bilhões…
Enquanto isso, os deputados estaduais no Amapá aumentam a verba de gabinete em 100%. O Amapá foi violentamente ROUBADO por quadrilhas de colarinho branco cujos membros (por incrível que pareça!?) estão soltos e, pior, ocupam papeis de destaque na política tucuju. O Ministério do Transporte é tomado de assalto por uma quadrilha (mais uma!). O Palocci enriquece às custas de superconsultorias muito mal explicadas.
62 bilhões…
Nessa conta dos 62 bilhões estão apenas os desvios com corrupção. E os desperdícios? Alguém me explica porque, por exemplo, juiz, desembargador, deputado e senador têm que receber auxílio-moradia, auxílio-fardamento, auxílio-refeição, auxílio-saúde, auxílio-escambau e auxílio-etc. Por que todos nós que trabalhamos e, na grande maioria, temos salários mais baixos que essas “ilustres” figuras pagamos nosso combustível, nosso plano de saúde, compramos nossas roupas e alimentos com o dinheiro de nossos vencimentos? Não acho errado que eles ganhem o salário que ganhem. É justo. Mas os “anexos” são totalmente dispensáveis. Na verdade, chegam a ser imorais.
Vendo tudo isso, hoje tenho certeza: Meu pai tinha razão.
07 julho 2011
Rapidinhas
Alguém me explica porque nos vôos da madrugada, quando maioria dos passageiros estão tentando dormir, os pilotos adoram ficar falando ao microfone dando informações completamente inúteis? Afinal que diferença faz se em Belém está 30°C ou 32°C? Deviam ensinar isso nas escolas de pilotagem.
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Quem se manifestará contra o aumento escandaloso da verba de gabinete da Assembléia Legislativa?
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O PR quer alguém mais político para assumir vaga deixada por Alfredo Nascimento. O interino é considerado "competente, sério, probo e reto" pelo líder do partido mas não deve ser o indicado. Por quê? O que significa ser "mais político"? Para mim, nesse caso, significa que o PR quer alguém que continue o esquema de propinas estabelecido no Ministério dos Transporte.
Quando esse Brasil será um país sério?
05 julho 2011
Tem gente que morre lentamente
24 junho 2011
Reforma Política: Voto em lista fechada
21 junho 2011
Reforma Política: Voto distrital
Antes uma explicação rápida sobre o voto distrital. Na eleição de vereadores, deputados estaduais e federais, o município ou o estado é dividido em distritos de modo que cada distrito tenha, aproximadamente, o mesmo número de eleitores. Assim, cada distrito elegerá seus deputados ou vereadores e estes o representarão na câmara municipal, na assembléia legislativa ou na câmara federal. A eleição pode ser em turno único ou em dois turnos para que haja maioria absoluta do eleito no distrito.
Sou a favor do voto distrital. Vejo nesse sistema vantagens em relação ao sistema proporcional que ocorre hoje. Primeiramente, ao dividir o estado em distritos, as campanhas eleitorais tendem a ser mais baratas pois o candidato concorre apenas por 1 distrito. E menos gastos de campanha é altamente desejável para quem apóia o financiamento público como eu. Uma consequência disso é facilitar o acesso de lideranças locais que poderão concorrer de maneira mais igual com os “políticos profissionais”.
Outra vantagem do voto distrital é acabar com a eleição proporcional onde candidatos que não foram os mais votados acabam se elegendo. De cara acabaria com os “Tiriricas-da-vida” que são usados por partidos para “puxarem” candidatos ruins de votos (mas bons de “esquemas”). No voto distrital o mais votado é o eleito. Isso dá legitimidade e representatividade maior ao eleito e aproxima o eleitor do político.
O que vocês acham do assunto? Quem quiser debater, pode usar a caixinha de comentários abaixo, meu twitter (@eldosantos) ou facebook.
Reforma Política: Financiamento público de campanhas
Reforma política
Estou preparando uma série de textos sobre minha opinião sobre alguns pontos da reforma política e eleitoral. Espero conseguir escrever e publicar todos até domingo.
Vocês agüentam esperar?
Reforma Política: Voto em lista fechada
O voto em lista fechada é aquele em que o eleitor não vota no candidato, mas no partido. Os partidos fariam eleições prévias internas para determinar a ordem dos candidatos dentro da lista a ser apresentada aos eleitores. Assim, quanto mais votos o partido tiver, mais vagas ele terá nas Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e Câmara Federal e o preenchimento dessas vagas será de acordo com a ordem pré-estabelecida pela lista fechada dos partidos.
Diz-se que por esse sistema haverá fortalecimento dos partidos, uma vez que serão eles que realmente receberão os votos. Também argumenta-se a favor do voto em lista fechada que ele tende a reforçar a unidade partidária, uma vez que todos os filiados deverão trabalhar em conjunto para que seus partidos tenha mais votos e, portanto, mais eleitos.
Hoje votamos para eleger os membros dos parlamentos através de um sistema que eu chamaria de lista aberta. O número de vagas é definido também pelos votos totais do partido (ou coligação) mas a ordem dos eleitos é definida não pelo partido, mas pelos eleitores, uma vez que os candidatos mais votados são eleitos de acordo com o número de vagas disponíveis para a coligação.
Do jeito que é atualmente, em muitos casos, um candidato com menos votos acaba se elegendo em detrimento de outro que recebeu mais votos por conta do famoso “coeficiente eleitoral”. Assim, o eleitor corre o risco de votar em um candidato que ele acredita que possa representá-lo bem, mas acaba elegendo outro que talvez ele não queira que se eleja. Precisa-se, portante, pensar em alternativas a esse sistema eleitoral.
Mas será que o voto em lista fechada é uma boa alternativa? Qual a garantia de que não uma dimensão ainda maior aos caciques dos partidos e fecharia as portas do legislativo a novos candidatos, a novas lideranças? Uma consequência clara desse sistema é que serão menos candidatos, uma vez que as chances de se eleger reduzirão bastante. Esse sistema eleitoral deve ser o preferido dos atuais parlamentares e dos partidos, uma vez que eles saem na frente de qualquer outro correligionário por já possuírem mandato e, teoricamente, preferência para encabeçarem as listas em eleições futuras. Será que os mandatos não se tornarão “cativos”, dessa forma?
Os critérios para a definição da ordem das listas dos partidos são importantes e isso dificilmente será regulamentado. Por isso que sou, a princípio, contra o voto em lista fechada. Na minha opinião, os candidatos mais votados devem ser os eleitos. Sei que isso enfraquece os partidos e personifica a eleição nos candidatos. Mas isso já ocorre, com a diferença que hoje a população vota achando que seu candidato vai levar e, no final da contas, nem sempre é assim que ocorre.
Portanto, o voto em lista fechada parece ser muito bom para os partidos políticos mas não acredito que seja bom para nossa democracia e para o nosso povo. E vocês, o que acham?
02 abril 2011
Importância da vírgula
Recebi este texto por email e compartilho com vocês. Espero que gostem.
Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro. 23,4.
2,34.
Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder, nada foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Detalhes Adicionais:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...
31 março 2011
19 março 2011
Dia de São José
Hoje é dia do Padroeiro de Macapá: São José.
Exemplo de pai.
Exemplo de marido.
Exemplo de trabalhador.
Inspiremo-nos nele para sermos bons pais, maridos e trabalhadores.
São José, intercedei por nós.
18 março 2011
Carta aberta à EMTU
Diretores da EMTU,
Uso esse espaço para pedir socorro a esta empresa municipal antes que vidas sejam ceifadas por conta da irresponsabilidade e incompetência dos gestores públicos.
Moro próximo à esquina da Av. Presidente Vargas com a R. Professor Tostes. Por três vezes falei com pessoas ligadas ao EMTU (Jair Coelho, um assistente dele e uma senhora que respondia pela Diretoria de Trânsito no dia 15-fevereiro) solicitando que fosse feita sinalização horizontal nesta esquina e que as placas de "PARE" fossem reparadas, pois uma estava fora de lugar e outra encoberta por uma mangueira em frente ao Bar do Cajueiro.
Essa solicitação surgiu após presenciar diversos "quase" acidentes e alguns acidentes. Em um desses acidentes, inclusive, um carro destruiu o muro de uma casa na esquina. Se, nesse acidente, tivessem atingido o Bar do Cajueiro, pessoas poderiam ter se machucado gravemente, ou mesmo morrido, pois o mesmo estava cheio.
Hoje, 18/03, às 18:10h um carro avançou a preferencial e atingiu outro que transitava na R. Professor Tostes e um 3º parado na Av. Presidente Vargas. As fotos estão ilustrando esta carta.
Nesse horário, muitas pessoas estavam na rua, crianças brincando nas calçadas (inclusive meu filho) e o movimento era grande no cruzamento por conta do horário.
Portanto, senhores e senhoras responsáveis pelo trânsito desta cidade, não sejam omissos para que no futuro não sejam culpados por uma tragédia da qual vocês foram avisados. Não quero nada além do que é obrigação desta empresa. Façam seu trabalho direito e receberão o elogia merecido.
Obrigado pela atenção e no aguardo pela solução.
Atenciosamente,
Eldo Santos
22 fevereiro 2011
Exemplo de Austeridade
Redação Jornal da Comunidade
O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, com 18,95% dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa.
Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600.
Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.
“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.
03 janeiro 2011
Só de Sacanagem
Texto de Elisa Lucinda
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” - Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.
01 dezembro 2010
“Gravidezes” e paternidade
Quem já leu esse blog sabe que tenho um filho de 9 meses e meio, o Arthur. Quem convive comigo sabe que sou muito babão por ele e que sou muito feliz por ser pai.
Nos últimos 30 dias, 1 casal amigo ficou sabendo que está “grávido”, outros 2 casais tiveram bebê e um outro fez inseminação e está na expectativa de confirmar o sucesso da mesma. Em todos os casos, minha felicidade foi enorme por esses amigos. Parecia até que a gravidez ou o filho (no caso, a filha, porque os 2 bebês que nasceram são meninas) era meu.
A paternidade/maternidade e a gravidez são bênçãos para qualquer casal. Sou pouco experiente nisso, mas seu o que é a felicidade de passar por essas duas situações e por isso me comovo e me congratulo com meus amigos que estão nessa fase maravilhosa da vida. E quem não sabe o que é isso, tenha certeza que quando bem planejada e bem quista, a gravidez é uma presente que Deus nos dá.
Aos amigos que citei no texto e que estejam lendo esse texto, aproveitem e curtam muito.
17 novembro 2010
Instantes
Texto atribuído a Jorge Luiz Borges – escritor argentino
Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo.
15 novembro 2010
O Contrato de Casamento
Outro texto de Stephen Kanitz. Após lê-lo, lembrei de uma frase que ouvi em um filme. Na cena, o marido fala para a esposa: “Eu não sou perfeito e você também não é perfeita. O importante é sermos perfeitos um para o outro". Boa leitura e bom casamento a todos.
Na semana passada comemorei trinta anos de casamento. Recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, alguns com o seguinte adendo assustador: "Coisa rara hoje em dia". De fato, 40% de meus amigos de infância já se separaram, e o filme ainda nem terminou. Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essência do contrato de casamento, que é a promessa de amar o outro para sempre. Muitos casais no altar acreditam que estão prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar. Mas isso não é um contrato.
Recentemente, vi um filme em que o mocinho terminava o namoro dizendo "vou sempre amar você", como se fosse um prêmio de consolação. Banalizamos a frase mais importante do casamento. Hoje, promete-se amar o cônjuge até o dia em que alguém mais interessante apareça. "Eu amarei você para sempre" deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro.
Contratos, inclusive os de casamento, são realizados justamente porque o futuro é incerto e imprevisível. Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns três anos de namoro. A chance de você encontrar sua alma gêmea nesse curto período de pesquisa era de somente 10%, enquanto 90% das mulheres e homens de sua vida você iria conhecer provavelmente já depois de casado. Estatisticamente, o homem ou a mulher "ideal" para você aparecerá somente, de fato, depois do casamento, não antes. Isso significa que provavelmente seu "verdadeiro amor" estará no grupo que você ainda não conhece, e não no grupinho de cerca de noventa amigos da adolescência, do qual saiu seu par. E aí, o que fazer? Pedir divórcio, separar-se também dos filhos, só porque deu azar? O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema. Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas.
As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa incerteza, sem a qual ficaríamos todos paralisados à espera de mais informação. Quando você promete amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: "Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade. Sei que fatalmente encontrarei dezenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. É justamente por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro. Não quero ficar morrendo de ciúme cada vez que você conversar com um homem sensual nem ficar preocupado com o futuro de nosso relacionamento. Nem você vai querer ficar preocupada cada vez que eu conversar com uma mulher provocante. Prometo amar você para sempre, para que possamos nos casar e viver em harmonia". Homens e mulheres que conheceram alguém "melhor" e acham agora que cometeram enorme erro quando se casaram com o atual cônjuge esqueceram a premissa básica e o espírito do contrato de casamento.
O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre. Um dia vocês terão filhos e ao colocá-los na cama dirão a mesma frase: que irão amá-los para sempre. Não conheço pais que pensam em trocar os filhos pelos filhos mais comportados do vizinho. Não conheço filho que aceite, de início, a separação dos pais e, quando estes se separam, não sonhe com a reconciliação da família. Nem conheço filho que queira trocar os pais por outros "melhores". Eles aprendem a conviver com os pais que têm.
Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais não aprendem, e alguns nem tentam aprender. Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, ou se fizeram propaganda enganosa, a situação muda(…). Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a saída seja postergar o casamento até os 80 anos. Aí, você terá certeza de tudo.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)
Editora Abril, Revista Veja, edição 1873, ano 37, nº 39, 29 de setembro de 2004, página 22
13 novembro 2010
O Segredo do Casamento
Ultimamente, estou sem muito tempo para escrever neste blog. Para não deixar meus milhares de leitores no vácuo, venho publicando alguns textos que gosto e que gostaria de compartilhar. O texto de hoje é de Stephen Kanitz, administrador e articulista de Veja, e fala sobre o casamento. Vale a leitura.
Meus amigos separados não cansam de me perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher. As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.
Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.
Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas, dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue.
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. O segredo no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.
Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua de mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?
Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você, depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo e a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é sua esposa que está ficando chata e mofada, são os amigos dela (e talvez os seus), são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo círculo de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. Mas, se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas, e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.
Não existe essa tal "estabilidade do casamento", nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensando fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.
Portanto, descubra o novo homem ou a nova mulher que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. Tenho certeza de que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)
Editora Abril, Revista Veja, edição 1922, ano 38, nº 37, 14 de setembro de 2005, página 24
11 novembro 2010
Sucesso
Discurso de Nizan Guanaes, publicitário, para uma turma da FAAP da qual era paraninfo.
Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.
Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar.
E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma. A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo." E ela responde: "Eu também não, meu filho".
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna. Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega viver como homens.
Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.
É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.
Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não sente-se e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.
O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta.Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho. Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso.